A Humanidade atravessou várias épocas, com mais ou menos dificuldades, com diversos flagelos, pragas, catástrofes, conflitos... Há diversos factores externos que variam de época para época. Contudo, há um flagelo que parece não querer deixar de trazer desgostos, incómodos e dissabores à espécie humana.
Falo, obviamente, de maçãs.
A maçã esta presente em diversos episódios trágicos:
Nos contos infantis, representam o papel de portadoras do veneno que, mais tarde ou mais cedo, acaba no sistema digestivo de belas donzelas incautas e ingénuas que nunca suspeitam (vá lá a gente imaginar) de velhas mulheres, de jeito ácido e tenebroso, cobertas de andrajos negros e portadoras de incríveis verrugas pilosas no sempre longo apêndice nasal.
Vide "Branca de Neve".

No campo da ciência, por exemplo, as maçãs tinham o péssimo hábito de importunar Isaac Newton, um dos maiores génios científicos de que a humanidade tem memória. Tudo bem que, à conta de lhe caírem maçãs na cabeça, Sir Isaac Newton desenvolveu importantes descobertas nos campos da física e da astronomia, como é exemplo a Lei da Gravitação Universal. Mas não deixa de ser incómodo, com a breca!

Mesmo na actualidade se sucedem inúmeros episódios fatídicos em torno de maçãs. Aqui em baixo, por exemplo, há um senhor que tem uma filha casada com um indivíduo que trabalha no café onde o Chico conheceu a mulher dele, uma senhora de Alcoitão que era modista e que chegou a fazer o vestido de casamento de uma prima de um colega do enteado de um tio-avô meu que morava em Ranholas, onde travou conhecimento com a Adelina, a mulher do homem do talho que tinha vivido em Lamego por alturas da década de noventa numa casa que era paredes meias com os Silvas, que tinham um sobrinho muito entendido em computadores, um jovem moderno e esclarecido que, num belo dia, não obstante a sua vivacidade e perspicácia, engasgou-se ao comer uma maçã.
Ao que parece, estava sozinho em casa. A fome apertou. Saiu ao quintal e colheu, de forma aparentemente inóqua, a mais bela e madura das maçãs que encontrou. Trincou-a com voracidade e o grande pedaço que de imediato se desprendeu escorregou da sua boca para o esófago, ficou entalado, o sujeito perdeu o ar, ficou roxinho que nem uma ameixa e finou-se, o coitado. O próprio médico legista comentou que "esta não foi, seguramente, a primeira vez que alguém faleceu trespassado pela quilha de um galeão espanhol do século XVII", mas como o Doutor estava visivelmente embriagado, nem ligámos nenhuma.

Esta lista de exemplos, não se desse o caso de eu ter de ir dar um saltinho ao retail park, poderia ser verdadeiramente interminável. Isto não se dando o caso de eu eventualmente acabar por morrer como as outras pessoas, vendo-me assim forçado a, mais cedo ou mais tarde, parar, por força das circunstâncias, de enumerar tão interessantes relatos.
Por essa razão, finalizo com a curta história de um homem que, ao que parece, viveu há cerca de 200000 anos e que, por questões místicas que não vêm ao caso, tinha uma costela a menos. Um belo dia, por via de uma história atabalhoada que envolve uma serpente e uma gaja nua, este homem deu uma trinca na maçã e, à pala disso, eu agora tenho de viver no Pendão.
Além disso, andam por aí muito menos gajas nuas, percentualmente falando.

Cabe-nos a nós, cidadãos responsáveis, lutar no sentido de exterminar, até à mais ínfima semente, este vil pseudofruto. É isto que me leva a perguntar...
E tu? Já comeste fruta hoje?